Saiba como tudo começou e como as versões hackeadas de um dos maiores jogos de lutas de todos os tempos, deu dor de cabeça pra Capcom e se tornou um sucesso mundial

Falar sobre Street Fighter de rodoviária é aflorar o sentimento de nostalgia daqueles que nasceram nas décadas de 1980 e 1990. E, também, mostrar para os gamers da atual geração a importância desses jogos. Não conheço uma pessoa que tenha vivido nessa época e seja fissurada por Street Fighter, que não tenha jogado algum título das versões pirateadas de um dos maiores jogos de lutas de todos os tempos.

O Termo

Não existe um documento que comprove a origem do termo “Street Fighter de rodoviária“, mas o que se fala na comunidade, é que o termo se deu por conta da popularização dos fliperamas de bairro. A maioria dos que jogaram alguma versão pirata de Street Fighter II não chegou a jogar em uma rodoviária propriamente dita, mas sim naqueles botecos que geralmente fediam a pinga com limão e sempre tinha alguém pra te desafiar no exato momento que você comprava uma ficha e colocava na máquina. Em bombonieres, lanchonetes, padarias ou em salões de festas infantis, se tinha um fliperama, era quase 100% de chance de ser um Street Fighter pirateado.

A origem

Dava pra escolher apenas dois jogadores
Dava pra escolher apenas dois jogadores © CAPCOM

O primeiro Street Fighter foi lançado em 30 de agosto de 1987, inclusive, o jogo comemorou seu trigésimo aniversário este ano. O primeiro game contava com 12 personagens, mas apenas dois eram selecionáveis e as opções era entre Ryu e Ken. Depois disso, tudo que você tinha que fazer era lutar contra os personagens restantes controlados apenas pela CPU. Mas não foi esse jogo que acabou fazendo sucesso, e sim o segundo título criado pela Capcom, Street Fighter II, lançado em 1991. A Capcom melhorou uma série de conceitos mostrados no primeiro jogo, incluiu movimento especiais e o controle de golpes com seis botões ao contrário de apenas três como era no primeiro. Você poderia escolher entre oito personagens selecionáveis, mas ainda não dava pra jogar com os chefes. Foi nesta versão que nasceu o sistema de “combos” e o combate “frente-a-frente” entre os dois jogadores.

  • Jogar com os chefes
  • Usar o mesmo personagem, ou seja, poder lutar entre Ryu x Ryu, por exemplo
  • Aumento na velocidade do game, pois o jogo era considerado um pouco lento

Em março de 1992, a Capcom resolveu atender aos pedidos e lançou o Street Fighter II: Champion Edition. Ele incluia tudo o que foi pedido pelos fãs do jogo. E, apesar de ser um ótimo jogo, ser rápido, poder usar o mesmo personagem e escolher os chefões como M. Bison, Balrog e Vega (nomes referentes aos personagens da versão americana), parecia não ser o bastante pra uma galera ai. Boa parte dos jogadores queriam mais, mais velocidade, mais opções e podemos dizer que mais fuleragem também. 

Como poder trocar de personagem no meio da luta apenas apertando o start, criar uma parede de hadoukens ou um shoryuken que soltava mais um milhão de hadoukens aos mesmo tempo, teletransporte e outras coisas que, aos olhos da Capcom, eram totalmente bizarras. A desenvolvedora jamais faria algo com uma obra que moldou e molda os jogos de luta até hoje.

Quem controla a vontade inabalável de um hacker?

Arco-íris da alucinação
Arco-íris da alucinação © CAPCOM

Representados pela Hung Hsi Enterprise, de Taiwan, o Street Fighter II’ Champion Edition ganhou uma série de alterações que recebeu o nome de “Rainbow Set“. Esse nome se deu por causa da logo do jogo que tinha as cores de um arco-íris. Nele, era possível apelar com vários jogadores e cometer a mais bizarras insanidades como: preencher a tela inteira com hadoukens, o Dhalsim, por exemplo, roubou o posto do Flash como personagem mais rápido do mundo, dava pra soltar hadouken ao aplicar o Tatsumaki Senpuu Kyaku (famoso ataque das corujas ou o ataque teke tugui), golpe que ficou mundialmente conhecido por ter o nome mais confuso de toda a história. Pois o grito que o personagem dava ao executá-lo (e que dava nome ao golpe) era simplesmente incompreensível. 

Dava pra soltar golpes no ar
Dava pra soltar golpes no ar © CAPCOM

O Spinning Bird Kick de Chun-li, atravessava a tela tão rápido quanto o Dominc Toretto na franquia Velozes & Furiosos. Você podia ficar subindo a tela com o Zangief até o tempo de luta acabar sem levar um único golpe, ou aplicar o famoso “pilão giratório pela sombra” e acabar com o oponente da forma mais ardilosa possível. Enfim, era tanto golpe absurdo e tantas táticas que deixava qualquer personagem tão apelão quanto os mais jogáveis como Ryu e Ken. Você já jogou contra todos eles, exceto contra o que você é!

Popularização

Que isso Vega?
Que isso Vega? © CAPCOM

Na Série Paralelos nós mostramos como a pirataria fez parte da nossa cultura gamer, mas os hackers taiwaneses jamais imaginariam que o carnaval que eles criaram iria se espalhar pelo mundo. No Brasil, as versões piratas caíram no gosto da pivetada e o resultado disso, você pode encontrar no vídeo do gamer Celso Affini, do canal Defenestrando Jogos, um dos caras que chegou a trabalhar na hot-line da Playtronic no Brasil nos anos 90, comenta versão por versão do “Street Fighter de rodoviária” e as diferenças entre cada uma delas. Se liga:

Se você quiser saber o nome de cada uma das inúmeras versões do Street Fighter de rodoviária, basta acessar esse catalogo.

Dor de cabeça e reação da Capcom

Os Rainbow Sets deram uma certa dor de cabeça para a dona do Street Fighter. Na tentativa de frear o crescimento da pirataria de seus jogos, a Capcom lançou em dezembro de 1992, uma versão um pouco semelhante às piratas e deu o nome de Street Fighter II Turbo: Hyper Fighting. Foi o jeito de oferecer ao público uma versão oficial perante às versões hackeadas.

Porém, na época do lançamento do jogo, houve rumores de que ele foi criado para a Capcom poder processar cada um dos desenvolvedores das versões piratas com mais propriedade.

A Hung Hsi recebeu uma série de processos e acabou desaparecendo do mapa. Depois de Street Fighter II Turbo: Hyper Fighting, a Capcom publicou mais de 20 títulos da franquia Street Fighter incluindo os crossovers e as participações em outros jogos da desenvolvedora.

 

Agências/ Bruno Fonseca