Bicampeão mundial, professor, streamer e empresário são alguns dos títulos que estão no cartão de visita de Gabriel Toledo, mais conhecido como Fallen para quem acompanha os campeonatos de Counter-Strike: Global Offensive ao redor do mundo. Porém, no Brasil, “Fallen” não é apenas o nickname de Gabriel, mas representa também a marca que o jogador profissional construiu com sua família, o Grupo Fallen.

O bordão “confia no marketeiro” vem sendo cada vez mais presente nas lives do líder da MIBR, afinal, a Fallen Gear, braço da empresa que vende periféricos e acessórios para computadores, acabou de lançar a linha ECO que é uma alusão para os rounds econômicos de Counter-Strike e tem como característica ser mais acessível para o público brasileiro.

Vale notar que o preço de acessórios do tipo no Brasil sempre foi algo de difícil alcance, já que a maioria dos produtos chegam por aqui por um preço bastante salgado. Alguns teclados chegam a custar R$ 2 mil, quase o mesmo preço de um computador que roda CS:GO.

“Esse lado empreendedor foi muito natural. Começou do desejo de Gabriel de ensinar e compartilhar o que ele tem”, conta Kenia Toledo, a mãe do in-game leader e CEO da rede Fallen. “A marca nasceu de criar produtos que tivessem uma boa experiencia gamer a preços acessíveis”, conta a empresária. Ela administra a empresa que foi criada pelo seu filho que tem sua base em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. Atualmente a companhia conta com 12 funcionários diretos, sem contar em outros tantos indiretos.

Quando o jogador ainda era um jovem adolescente, Kenia tinha uma loja de informática em Itapetininga, interior de São Paulo, no qual ele ajudava e aprendia de tudo um pouco, desde vender alguns itens e até montar computadores.

“O Gabriel não tinha uma ambição de ser empresário, isso foi uma coisa que aconteceu naturalmente”, conta Kenia Toledo, a mãe do in-game leader e CEO da rede Fallen. “Ele sempre gostou de se relacionar com a comunidade e, desde o início, atendeu os fãs por amor, respondendo quais eram os acessórios que ele usava e onde comprava. Foi aí que ele começou a vender de casa mesmo os acessórios da Razer, que foi uma grande incentivadora dos talentos do Gabriel”.

A empresária conta ainda que tudo começou quase como um negócio de garagem. Melhor dizendo: um negócio de beliche. Isso porque os produtos que ele vendia eram estocados no quarto que ele dividia com seus irmãos, em 2012. No início ele abriu um site para atender os pedidos que chegavam de todo canto do país. Kenia relembra dessa época que tudo foi crescendo organicamente “a loja começou a crescer, as demandas começaram a aumentar, o Tiago [irmão de Fallen] começou a trabalhar… Tudo foi muito orgânico”.

Marcelo Toledo é um dos sócios de Gabriel, está no negócio desde o início e é um dos responsáveis por trazer produtos para a companhia, lembra que o primeiro produto da marca foi um mousepad “para que o fã do Gabriel tivesse um pedaço do Fallen. Como a gente viu que a recepção foi muito boa, a gente começou a buscar produtos que conectassem o público com o Gabriel”. Hoje em dia ele é quem busca fornecedores ao redor do mundo para fazer os periféricos com a marca.

“Esse o diferencial da nossa marca, de que tenha qualidade para o uso competitivo. E que o Gabriel aprove e use”, reforça Marcelo. E para ter essa aprovação, é um processo um tanto quanto complicado, afinal, Fallen é jogador profissional e essa é a sua profissão primária. “A gente busca produtos acessíveis que também tenham desempenho para jogar competitivamente”, diz o Marcelo. “Ele participa de todo processo de criação do produto. Do molde do mouse ou do teclado, tudo é feito com base no que ele gosta, então é muito difícil ele não usar. Tudo é feito com base na experiência e nas necessidades dele como jogador profissional.”.

Ele relembra que o teclado ECO foi uma luta para ter a aprovação de Fallen, que foi usado pelo jogador na Blast Pro Series de Miami. “Foram mais de 15 modelos enviados para os EUA. Ele testava todos exaustivamente e sempre vinha com um ajuste aqui e ali”. O sócio diz ainda: “Os produtos são pensandos e projetedos, desde a essência, para quem busca aumentar seu nível de jogo, desde o mousepad até o teclado. A gente quer fazer produtos para quem tem o mesmo sonho do Gabriel”.

Durante a Blast Pro Series em São Paulo, Fallen teve um tempo para conversar com a ESPN Esports para falar desse seu lado empreendedor. E é claro que ele fala com muito orgulho sobre tudo o que representa sua marca. “A gente sabe que as coisas aqui no Brasil não são fáceis. Tudo é muito caro e tem muitos impostos, fica difícil comprar coisas de qualidade para jogar em alto nível. Porém a gente encontrou o meio termo para deixar nossos produtos com qualidade e com preço acessível”.

Marketeiro como ele só, Fallen sabe que o seu nome está na mira caso o produto não seja bom o suficiente e sempre exibe seus produtos quando tem oportunidade, como aconteceu recentemente na ESL Pro League, quando oportunamente mostrou o mouse bungee de sua marca para a câmera durante a transmissão do campeonato. Uma brincadeira que prontamente foi respondida pela audiência com o bordão “Confia no marketeiro” e que, mais tarde, ele brincou no Twitter.

EXPANDINDO HORIZONTES

Fallen é um empreendedor nato e logo que começou a tomar notoriedade, iniciou o projeto de dar aulas de Counter-Strike, ainda na época do CS 1.6. Esse projeto cresceu e, ao lado de dois amigos fundou a Gamers Club, que recentemente foi adquirida pela Immortals – empresa mãe do MIBR – e que vai expandir suas operações para além da fronteira verde e amarela.

A produção de produtos também é confeccionada fora do país sob supervisão de Marcelo, que escolhe seus fornecedores a dedo. “A marca de Gabriel, não é a penas a loja. É o nome que ele construiu sob base de muita confiança, muito trabalho. Você sempre vai falar do Gabriel e lembrar de coisas boas, de qualidade, que realmente funcionam”.

O irmão do Fallen diz ainda que a empresa está crescendo e não é apenas um negócio de família. “Ela nasceu assim, com um propósito pequeno, mas quando você se vê em um mercado que tem muita empresa boa e grande, com as coisas acontecendo de forma global, você não pode mais pensar pequeno. Você tem que pensar em dar um passo a mais e a gente sabe que o esport é um mercado que ainda não está totalmente desenvolvido, que tem muita oportunidade surgindo. Tanto que a Fallen Wear e a Fallen Gear foram oportunidades que apareceram e que a gente quis abraçar”.

O que Marcelo e a Kenia fazem questão em enfatizar são as conquistas que atingiram recentemente, como fabricar produtos licenciados de PUBG e da FaZe Clan no Brasil, ou até mesmo a linha ECO. A CEO da empresa mostrou com prazer as planilhas e slides com os planos de expansão da marca. “Contratamos uma empresa que nos ajudou a traçar metas para os próximos anos. E estamos indo muito bem, conseguindo atingir metas que estavam pensadas para o futuro já hoje em dia”.

De acordo com ela, a marca também tem planos para ampliação de sua área de atuação. Kenia diz que os planos é continuar a levar produtos internacionalmente – e que ela enfatiza que já está em execução acelerada. Pergunto para ela quais seriam esses planos e, com um sorriso bastante aberto ela diz apenas “Falou em Fallen, falou em esports”.

Via ESPN