Muitos acreditam que com a tecnologia cada vez mais avançada poderemos ter melhores condições de liberdade e poder de comunicação, mas, se depender de megacorporações, especialmente o Facebook, isso poderá ser uma doce ilusão. No último sábado (30), o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, defendeu a regulamentação maior da internet por parte dos governos e outras entidades.

Para o executivo, é importante ter maior invasão e regulação no que ele acredita ser Conteúdos Nocivos. Ele ainda quer regulação para existir mais Transparência em Eleições, Privacidade e Portabilidade de dados.

“Ao atualizar as regras da internet, nós podemos preservar o que há de melhor nela – liberdade para que as pessoas se expressem e que empresários construam novidades – enquanto também protegemos a sociedade de maiores perigos”, disse numa postagem.

Conteúdos Nocivos

O ponto em que Zuckerberg apontou ser de Conteúdo Nocivo ainda gera debate, especialmente por ser muito amplo e vago o que pode ser considerado conteúdo nocivo. O executivo disse que já trabalha com governos para “assegurar a eficiência dos sistemas de revisão de conteúdo”.

O CEO ainda disse que organismos independentes podem traçar parâmetros de avaliação dos materiais nocivos. “Uma regulação pode definir bases sobre o que é proibido e, portanto, exigir das empresas que construam sistemas para diminuir ao máximo o conteúdo nocivo”, escreveu Zuckerberg.

“Uma vez que entendermos a prevalência do conteúdo nocivo, poderemos ver quais empresas estão melhorando e onde deveremos traçar os parâmetros de base”, acrescentou.

Transparência em Eleições

Candidatos em eleições têm impulsionado campanhas nas redes — Foto: Pixabay

Candidatos em eleições têm impulsionado campanhas nas redes — Foto: Pixabay

Apesar de pedir mais regulamentação, mais leis, sobre questões de eleições, para, segundo ele, que se “protejam as eleições”, o executivo disse sobre a dificuldade em traçar parâmetros sobre o tema. “Definir se uma propaganda é ou não política nem sempre é algo simples. Nossos sistemas seriam mais eficazes se houver regulação que crie padrões comuns para verificar os atores políticos”, analisou.

Existe ainda a questão de se atacar problemas com candidatos que impulsionem campanhas para atacar adversários. Outro ponto que gerou controvérsia é sobre questões políticas fora das eleições,especialmente em temas polêmicos e divisivos. “Acreditamos que a legislação deve ser atualizada para refletir a realidade das ameças e definir padrões para toda a indústria [da internet]”, afirmou.

Privacidade

Facebook — Foto: Reuters

Facebook — Foto: Reuters

O executivo ainda defende criação de leis para que a coleta e uso de dados pessoais só podem ser feitas com consentimento explícito do usuário, que passa a ter direito de ver, corrigir e mesmo deletar informações guardadas por empresas.

“[A lei] deve proteger seu direito de escolher como sua informação é utilizada, enquanto dá permissão às empresas de usarem essa informação por questões de segurança e para oferecer serviços”, disse Zuckerberg.

O executivo ainda defendeu uma legislação mundial – e não diferente para cada país – garantira a mesma proteção para todos. “Nós precisamos de regras claras sobre quando a informação pode ser utilizada para servir o interesse público e como deve se aplicar a novas tecnologias como inteligência artificial”, completou.

Portabilidade de dados

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, durante o F8, conferência de desenvolvedores da rede social. — Foto: Stephen Lam/Reuters

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, durante o F8, conferência de desenvolvedores da rede social. — Foto: Stephen Lam/Reuters

Zuckerberg ainda disse que o Facebook vai facilitar a portabilidade de dados de um serviço para outro, caso seja desejo do usuário das redes sociais do grupo. “Isso dá poder de escolha às pessoas e permite que desenvolvedores inovem e entrem em competição”, justificou. Ele defende que o usuário entre nas diferentes plataformas da companhia com um mesmo login.

Muita coisa deve mudar

Já se sabe que a companhia deverá integrar todas as suas redes (Facebook, Whatspp e Instagram), para melhor administrar os conteúdos e facilidade diferentes operações de usuários e empresas.

É interessante ver a tendência de grandes companhias como o Facebook, que dizem defender a concorrência ao mesmo tempo em que criam as regras do jogo, e que não deixam claro muitas vezes o que consideram conteúdo ofensivo e defendem simplesmente que governos atuem, regulem, como os usuários possam se expressar na internet, sempre defendendo regulação em nome de uma suposta liberdade ditada por executivos do Vale do Silício como ele, que pregam um padrão de comportamento mundial pelo que eles entendem por ser o correto.

Resta saber o que esperar desse futuro desenhado por ele para a rede sociais e para a internet, e mais: como o público e sociedade vai reagir.

Agências/G1