Após os tiroteios que mataram 22 pessoas no Texas e outras nove em Ohio, o presidente dos Estados Unidos Donald Trumo disse nesta segunda-feira (5) que os videogames são culpados parcialmente pela escalada de ações com armas de fogo.

“Temos que parar a glorificação da violência em nossa sociedade. Isso inclui os jogos eletrônicos macabros e horripilantes que agora são comuns. É muito fácil hoje jovens problemáticos imergir em uma cultura que celebra a violência. Temos que parar o reduzir substancialmente”, disse o chefe do poder executivo americano.

As primeiras manifestações contrárias a fala do presidente dos EUA surgiram no mundo dos games e da indústria do entertenimento eletrônico.

A Entertainment Software Association (ESA), associação comercial da indústria de videogames dos EUA, apresentou argumentos que contra o presidente americano:

“Mais de 165 milhões de americanos jogam videogames, e mais de bilhões ao redor do mundo fazem o mesmo. Mesmo assim, outras sociedades que jogam avidamente videogames, não mostram o nível trágico de violência que acontece nos Estados Unidos. […] Videogames contribuem para a nossa sociedade com tipos específicos de terapias, avanços médicos, ferramentas educacionais, inovação nos negócios e muito mais.”

Vale lembrar também que Strauss Zelnick, CEO da Take-Two, comentou sobre a declaração que voltou a gerar debates sobre o assunto.

“Em nome de todos aqui na Take-Two, estamos enojados e tristes com essa tragédia. Mas culpar um tipo de entretenimento é irresponsável e, principalmente, desrespeitoso com as vítimas. Entretenimento é consumido mundo afora. É o mesmo mundo.”

Um dos vários Estudo que contesta afirmação de Trump

Um estudo conduzido pelo FBI, porém, não conclui que o diagnóstico de uma doença psicológica é a causa motivadora de um ataque desse tipo, e ainda chama generalizações como as feitas por Trump de “enganosas” e “inúteis”.

O relatório sobre o comportamento pré-ataque dos atiradores no país compreende o período entre 2000 e 2013 e afirma que nos 63 casos analisados apenas 25% dos atiradores tinham distúrbio mental diagnosticado por um profissional.

“A doença mental diagnosticada de forma enfática não é um prenunciador muito específico de violência de qualquer tipo, muito menos de violência dirigida”, afirma o documento, ponderando que metade da população americana já entrou em contato com fatores considerados perturbadores da saúde mental, como ansiedade e depressão.

“Dessa forma, sem evidências específicas, deve-se considerar cuidadosamente fatores sociais e contextos que podem interagir com qualquer problema de saúde mental antes de concluir que um massacre a tiros foi ‘causado’ por doença mental’. Em resumo, declarações de que todos os atiradores devem simplesmente ter problemas de saúde mental são enganosas e inúteis”, conclui o texto.

Agências/Nerdbunker/GauchaZH