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Uma adolescente e um robô exploram mundo desolado em game do criador de “Mega Man”.
  1. Desenvolvedora: Armature Studio
  2. Lançamento: 09/2016
  3. Distribuidora: Xbox Game Studio
  4. Suporte: 1 jogador
  5. Gênero: RPG

Anunciado com pompa pela Microsoft pouco mais de um ano atrás, “ReCore” é um bom jogo de ação e plataforma para PC e Xbox One, pontuado por problemas tanto técnicos quanto conceituais. O jogo brilha em seus trechos cheios de saltos por cenários futuristas arruinados e combates frenéticos, mas sofre com gráficos medianos, ‘bugs’ irritantes e, principalmente, a repetição excessiva dos mesmos objetivos.

Em “ReCore”, você controla Joule, exploradora quase solitária do planeta Éden Distante, um mundo desértico tomado por tempestades de areia que escondem (ou revelam) ruínas tecnológicas cheias de inimigos robóticos e tesouros. Para enfrentar esses perigos, Joule conta com o auxílio de seus próprios aliados robôs – boa parte da trama do game envolve compreender o que aconteceu com as máquinas que se tornaram malignas e desvendar a relação da mocinha com outros personagens.

Além de ajudar Joule nos combates, cada robô possui uma habilidade especial: Mack é um K9, um verdadeiro cachorro artificial, capaz de encontrar itens escondidos e escavá-los das areias de Éden Distante. Seth é o mais interessante, uma aranha robô que pode levar a heroína por caminhos únicos e assim, alcançar áreas antes impossíveis para o jogador.

Outros robôs incluem um gorila, uma espécie de tartaruga e um pássaro mecânico – cada qual com seus poderes únicos que aumentam a capacidade de combate e exploração de Joule.

Exploração e combate

O ponto alto do game está justamente na exploração do cenário e em percorrer os desafiadores trechos de plataforma, principalmente as chamadas “masmorras transversais”. Combinando um pulo duplo e um “boost” de velocidade capaz de preencher distâncias adicionais, Joule salta por fases cada vez mais complexas e que ganham toda uma nova dimensão quando as habilidades do robô aracnídeo entram em cena.

O combate é simples e remete ao de “Metroid Prime”. Não é coincidência, já que os produtores do jogo de tiro da Nintendo estão por trás de “ReCore”, junto com o estúdio de Kenji Inafune, designer de “Mega Man”. A arma de Joule pode disparar rajadas de diferentes cores, que causam mais dano nos inimigos de cores correspondentes. Também é preciso dominar a técnica de extração, um minigame que lembra uma “pescaria”, capaz de remover o núcleo dos robôs inimigos e acabar a luta instantaneamente.

Ficar atento para trocar as cores e dominar a extração são mecânicas essenciais nas batalhas contra os chefões do jogo, que possuem padrões de ataque únicos e podem ser bem problemáticos para jogadores distraídos. Até porque, o ‘boost’ que muitas vezes é usado como esquiva, não funciona tão bem quando os chefões estão próximos demais de Joule. Se você se distrair um pouquinho nessas horas, ela vai morrer. E a morte, em “ReCore”, é punida com telas de carregamento excessivamente longas.

Longe da perfeição

O jogo sofre com esses ‘loadings’ demorados, que chegam a durar até 2 minutos. Há telas de carregamento para ir e voltar da base de Joule, para mudar de uma área para outra do jogo e para ir do menu inicial para o jogo e vice-versa. Mesmo ao morrer e voltar em uma luta importante, você será castigado com um ‘loading’ enorme. Nos trechos de plataforma, o jogo é menos irritante, mas prepare-se para voltar todo o percurso cada vez que errar o salto e se estatelar no chão.

“ReCore” também não é o jogo mais bonito do Xbox One, ainda mais sendo um game exclusivo do console e do Windows 10. Joule é uma personagem carismática e bem feita, seus amigos robôs também. Mas em geral, o game não se esforça em oferecer gráficos de ponta – e isso não seria um problema se não tivesse sido anunciado com tantas honras e enfileirado pela Microsoft ao lado de “Halo 5”, “Forza Motorsport 6” e “Rise of the Tomb Raider” – jogos que tem valores de produção muito superiores. “ReCore” não é um jogo feio, mas não faz bonito.

Mais problemáticos são os ‘bugs’ que assolam “ReCore”. Durante o teste, em pelo menos três ocasiões o cenário desapareceu e Joule mergulhou no chão, atravessando Éden Distante rumo ao nada… ou ficando presa no meio de instalações que surgiam e desapareciam na tela. Em uma ocasião, o game travou ao ponto de ser preciso desligar o Xbox One para recomeçar.

Por fim, pesa também a repetição excessiva de certos objetivos: Joule chega em uma nova área e é preciso encontrar pequenos robôzinhos-baterias para carregar portas ou geradores e prosseguir para a próxima área, onde é preciso fazer praticamente a mesma coisa de novo e de novo.

Bem melhores são os desafios opcionais que o game oferece em suas Masmorras Transversais. Joule precisa atravessar áreas bem elaboradas, saltando por plataformas e enfrentando inimigos loucamente. É preciso decorar o trajeto e encontrar tesouros escondidos para cumprir todos os objetivos e desbloquear recompensas ao final do desafio. É nessas missões que “ReCore” brilha de verdade, bem distante das tarefas de coletar baterias e extrair núcleos brilhantes repetidas vezes.

Dublado em português, “ReCore” está disponível para PC e Xbox One.

Agências/Via UOL


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