Análise: Overwatch – Nota 9

Shooter mistura heróis e vilões com super poderes em arenas variadas. Desenvolvedora: Blizzard Lançamento: 24/05/2016 Distribuidora: Activision Blizzard Suporte: 1 jogador, multiplayer online Gênero: FPS PC PS4 XBO

“Overwatch” é um jogo de tiro multiplayer onde duas equipes de seis jogadores se enfrentam em modalidades consagradas, como captura de território ou transportar um objetivo pelo mapa. Os jogadores podem escolher entre 21 personagens, cada qual dotado de poderes e estilo de jogo únicos. Num primeiro olhar, o game da Blizzard Entertainment parece uma colcha de retalhos de boas ideias vindas de outros jogos.

Sim, “Overwatch” é um apanhado de algumas das melhores ideias dos games online, sejam jogos de tiro ou não. A influência de “League of Legends” está lá, nos heróis coloridos e sua mecânica de poderes. Assim como é constante a sensação de que você está jogando uma evolução de “Team Fortress 2”, da Valve. Talvez a palavra chave seja exatamente “evolução”. O game pega aspectos de sucesso de outros jogos e os combina em algo melhor, colando tudo com o capricho e a personalidade característicos da produtora californiana.

O jogo se passa na Terra, em um futuro distante onde muita coisa já rolou: uma grande ameaça pairou sobre o mundo, um grupo de heróis, o tal Overwatch, foi criado e lutou contra outras facções… há toda uma mitologia construída ao redor do game, mas essas coisas ficaram no passado. O Overwatch foi desfeito e seus heróis se aposentaram.

Quando o jogo começa, os membros do grupo estão se reunindo de novo, por motivos ainda misteriosos. Pena que nada disso é mostrado no game, mas em quadrinhos digitais, trailers e curtas de animação – ao menos isso tudo está em português, assim como o jogo. A dublagem segue o padrão de qualidade elevado da produtora de “WoW” e “Diablo”.

“Overwatch” se esforça para passar toda essa atmosfera super-heróica e futurista, com mapas em vários cantos do mundo e personagens incríveis. São eles que dão o tom das partidas, com poderes variados que permitem criar muitas estratégias, mudando o rumo da partida sempre que alguém troca de herói (o que pode ser feito quase a qualquer momento). Certos heróis são mais fáceis de controlar e apropriados para quem está acostumado com os jogos de tiro atuais. Outros envolvem uma certa prática antes das coisas ficarem divertidas.

Fácil de jogar, difícil de dominar

Mais do que em qualquer jogo da Blizzard, “Overwatch” preza a acessibilidade dos novos jogadores, sem deixar de lado a complexidade – é a velha máxima de “fácil de jogar, difícil de dominar” sendo muito bem aplicada. Você pode pegar um personagem fácil, como o Soldado 76 ou Tracer, e sair jogando. Vai se divertir bastante, mas logo vai querer experimentar outros bonecos, como o brasileiro Lúcio ou a coreana D.Va. Entender as habilidades de cada um leva algum tempo, mas o esforço é bem recompensado quando você aparece entre os melhores jogadores da partida.

Os modos de jogo são feitos para gerar atrito constante entre os times, seja na disputa de territórios ou na sempre divertida modalidade onde um time deve empurrar um carro pelo trilho e o outro impedir o avanço. Os mapas trazem vários caminhos alternativos e níveis diferentes para se posicionar e, com personagens capazes de escalar paredes ou mesmo voar pelo mapa, as partidas logo se tornam bastante frenéticas.

A simplicidade dessas modalidades podem tornar as coisas um pouco repetitivas depois de algum tempo, embora a variedade de personagens equilibre um pouco a balança. Mas seria bom ver novas opções de jogo nos próximos meses. Não é que falte conteúdo em “Overwatch”: O jogo deixa sempre um gosto de “quero mais” após o final das partidas, ainda mais com o sistema de experiência e recompensas, sempre presenteando você com a sensação de progressão, novas roupas e outros itens para personalizar os heróis.

Futuro competitivo?

“Overwatch” é a primeira franquia original da Blizzard em 18 anos, afinal “HearthStone” e “Heroes of the Storm” são baseados em séries já existentes. De olho no popular nicho do eSport, o game receberá em breve um modo competitivo ranqueado – mas para isso ficar bom mesmo, será preciso equilibrar melhor os personagens, que hoje são assumidamente desbalanceados em níveis de poder. Há muito trabalho pela frente, ainda mais com a promessa de trazer novos campeões para o game de tempos em tempos.

Também será preciso inserir um sistema de clãs, um modo expectador robusto e, claro, organizar torneios que atraiam não só os proplayers, mas o público que vai se interessar em assistir partidas online e jogar “Overwatch” por uns bons anos. Para isso é preciso fazer mais do que campeonatos online e finais pomposas durante a Blizzcon. É preciso investir nos cenários locais, tanto nos times e organizações quanto na realização de eventos. O mundo onde “Overwatch” está chegando não é o mesmo de quando “StarCraft” decolou.

Com “Overwatch” a Blizzard provou que consegue se renovar e criar, novamente, um jogo incrível e personagens cativantes. Agora, a produtora precisa mostrar que é capaz de levar esse sucesso adiante e ampliar sua comunidade, seja com mais conteúdo para o game, grandes torneios presenciais ou, de preferência, as duas coisas.

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